|
Lembranças |
|
|
|
Diz o velho provérbio que "Recordar é viver". Baseada nesse axioma, volto-me às reminiscências do passado na minha terra, o Caboclo. Lembro-me de um fato interessante, entre outros, em minha vida, contado a mim por meus pais: João Nunes de Barros e Perpétua de Macedo Nunes. Aconteceu que em 1926 um grupo de cangaceiros "revoltosos" vinham atacar Caboclo e toda a gente do lugar fugia para se esconder, deixando abertas as portas de suas casas, inclusive minha mãe e minha avó. Eu contava apenas 12 horas de nascida e fui conduzida pela velha parteira, num jumentinho. Minha mãe e minha avó foram levadas de rede. Fomos nos refugiar numa fazenda do Piauí. Recordo-me com gratidão do grande amigo Cristóvão Cavalcanti que providenciou homens dispostos para realizar esta façanha. Felizmente, os revoltosos erraram o caminho e não conseguiram seu intento por proteção de Deus. Voltando o sossego e a paz que lhe eram peculiares, Caboclo e nós também retomamos à nossa vida normal. Cresci feliz. Até os sete anos morando vizinha à querida casa de meus avós Jubilino (Cap. Idobe) e Mariinha. Minhas tias não somente eram bondosas como também muito bonitas, conforme elogios que lhes eram proferidos por diversas pessoas. Havia muita alegria e felicidade naquela casa... No salão de festas, ainda hoje existente, reuniam-se normalmente os rapazes da época (alguns iam daqui de Petrolina) para tocar violão, declamar poesias e fazer serenatas. Alguns apaixonados, contudo algumas das minhas tias não quiseram abraçar o matrimônio... Deixando a tranqüilidade de nossa Vila Caboclo, fui morar em Afrânio com minha família. Uma das minhas melhores recordações era assistir no fim do ano, à Novena do Senhor do Bonfim em Caboclo. Meu pai levava-nos para passar três ou quatro dias ali e nos sentíamos animadas e alegres. As moças e rapazes passeavam e conversavam no grande patamar da igreja. As crianças brincavam e todos sentiam-se contentes naquele lugar tão abençoado. Um lugar onde a harmonia e a paz são privilégios de todos aqueles que ali vão beneficiar-se de seu panorama aconchegante. Hoje lembrando esse passado, compreendo porque a felicidade se manifesta através das pequenas coisas e, que é nos momentos de simplicidade que ela se encontra. Nesses momentos felizes é que nós sentimos alegria e bem estar, desde que nos conscientizemos de que, as pequenas coisas podem se tornar grandes se soubermos bem observar e sentir.
|
|
Alayde de Macedo Nunes (in memorian) |
|
Professora |